sábado, 12 de março de 2011

John Keats - Bright Star

Fanny Brawne
John Keats
manuscrito do poema Bright Star
O soneto conhecido como Bright Star é um dos textos mais emblemáticos do poeta inglês John Keats (1795-1821) e foi, durante muito tempo, tido como seu último poema. Há um conhecido manuscrito  da obra copiado por Keats, já bastante doente, no seu exemplar dos Poemas de Shakespeare que o acompanhava no navio a caminho Itália, onde viria a morrer logo em seguida de tuberculose. O soneto, inspirado em seu grande amor, Fanny Brawne, deu também título ao filme de Jane Campion retratando os últimos anos de vida de Keats e sua relação com Fanny. Reunimos aqui três traduções do poema, por Walflan de Queiroz, Péricles Eugênio da Silva Ramos e Horácio Costa.

Bright star, would I were stedfast as thou art –
Not in lone splendour hung aloft the night
And watching, with eternal lids apart,
Like nature's patient, sleepless Eremite,
The moving waters at their priestlike task
Of pure ablution round earth's human shores,
Or gazing on the new soft-fallen mask
Of snow upon the mountains and the moors –
No – yet still stedfast, still unchangeable,
Pillowed upon my fair love's ripening breast,
To feel for ever its soft fall and swell,
Awake for ever in a sweet unrest,
Still, still to hear her tender-taken breath,
And so live ever – or else swoon in death.

John Keats, 1819


Estrela brilhante! Gostaria de ser fixa como tu és –
Não em um solitário esplendor como agora,
Velando como estás, com grandes pálpebras,
As águas movimentadas em torno das praias humanas,
Como um austero eremita da Natureza.
Ou contemplando a agradável máscara da neve por sobre as Montanhas e os Pântanos.
Não – Quieta, imutável como sempre,
Parada sobre o seio maduro de minha amada,
Para que eu sinta eternamente seu calmo respirar,
E acorde um dia numa doce inquietação.
Quieta, fixa, para que eu ouça sua terna e calma respiração,
E assim viva para sempre, ou desfaleça na morte.

Tradução de Walflan de Queiroz


Fosse eu imóvel como tu, astro fulgente!
Não suspenso da noite com uma luz deserta,
A contemplar, com a pálpebra imortal aberta,
 – Monge da natureza, insone e paciente –
As águas móveis na missão sacerdotal
De abluir, rodeando a terra, o humano litoral,
Ou vendo a nova máscara – caída leve
Sobre as montanhas, sobre os pântanos – da neve,
Não! mas firme e imutável sempre, a descansar
No seio que amadura de meu belo amor,
Para sentir, e sempre, o seu tranqüilo arfar,
Desperto, e sempre, numa inquietação-dulçor,
Para seu meigo respirar ouvir em sorte,
E sempre assim viver, ou desmaiar na morte.

Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos


Estrela brilhante! Fosse eu permanente como sois --
não em sólito esplendor suspenso na noite ao longe,
mas observante, com eternos cílios  entreabertos,
tal da Natura paciente, insone eremita,

Das águas moventes em seu sacerdotal empenho
de ablução pura ao redor dos litorais humanos,
ou de entrever o pouso da novel máscara
da neve sobre montanhas e charnecas--

Não: conquanto permanente, e pois imutável,
envolto no maduro peito do meu Amor
para sentir para sempre o seu macio arfar,
desperto para sempre em doce inquietude;

Ainda, ouvir ainda a sua terna respiração,
e assim viver sempre --ou decair à morte.

Tradução de Horácio Costa

Trailer do filme Bright Star, de Jane Campion:

6 comentários:

  1. Bright Star é um obra prima,adorei o filme, não apenas um filme biografico, retrata costumes, as marcas da época, como diálogos longos nos salões.Também foca bastante as cartas de Keats.

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  2. Muito legal vc ter colocado as diferentes interpretações para o português!

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  3. Muito bom o post! Incrível como o ponto de vista do tradutor mesmo involuntariamente se reflete no texto... Prova meu ponto de que vale a pena se esforçar ao máximo pra ler o original em qualquer que seja o idioma.

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  4. Muito bom. Reproduzi em nosso grupo literário no fb.https://www.facebook.com/groups/poesiafaladaemgoyaz/1663494720596975/?notif_t=like
    Obrigado.
    Beto.

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