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Lula Livre! |
Sou o povo, a plebe
Por Carl Sandburg
[Tradução de Márcio Simões]
Sou o povo − a plebe − a multidão − a massa.
Sabes que todo o grande trabalho do mundo é feito através
de mim?
Sou o trabalhador, o inventor, o criador da comida e das
roupas do mundo.
Sou a audiência que testemunha a história. Os Napoleões
vêm de mim e também os Lincolns. Eles morrem. Então envio novos Napoleões e Lincolns.
Sou o solo das sementes. Sou uma pradaria que suporta cultivos
sem fim. Terríveis tempestades caem sobre mim. Eu esqueço. O melhor de mim é arrancado
e devastado. Eu esqueço. Nada senão a Morte vem até mim e me obriga a trabalhar
e desistir do que tenho. E esqueço.
Às vezes eu rosno, me sacudo e respingo algumas gotas
vermelhas para a história lembrar. Então − eu esqueço.
Quando eu, o Povo, aprender a lembrar, quando eu, o Povo,
fizer uso das lições do passado e não mais esquecer quem me roubou ano passado,
quem me fez de bobo − então não haverá nenhum orador em todo o mundo dizendo as
palavras: "O Povo", com qualquer resquício de escárnio em sua voz ou
qualquer esboço de sorriso sarcástico.
A plebe − a multidão − a massa− chegará então.
I Am the People, the Mob
I am the people—the mob—the crowd—the mass.
Do you know that all the great work of the world is done through me?
I am the workingman, the inventor, the maker of the world’s food and
clothes.
I am the audience that witnesses history. The Napoleons come from me and
the Lincolns. They die. And then I send forth more Napoleons and Lincolns.
I am the seed ground. I am a prairie that will stand for much plowing.
Terrible storms pass over me. I forget. The best of me is sucked out and
wasted. I forget. Everything but Death comes to me and makes me work and give
up what I have. And I forget.
Sometimes I growl, shake myself and spatter a few red drops for history
to remember. Then—I forget.
When I, the People, learn to remember, when I, the People, use the
lessons of yesterday and no longer forget who robbed me last year, who played
me for a fool—then there will be no speaker in all the world say the name: “The
People,” with any fleck of a sneer in his voice or any far-off smile of
derision.
The mob—the crowd—the mass—will arrive then.