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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Jack Kerouac | Mexico City Blues - Refrão 228



Louvado seja o homem, ele existe no leite
e vive nos lírios –
E a sua música de violinos toma espaço no leite
e no cremoso vazio –
Louvadas sejam as pétalas internas ainda não abertas
carne do mais terno pensamento –
(gaivotas do desatino
dos vales ondulantes
cantando a si mesmos em sono) –
Louvado seja o engano, a ondulação –
Louvado o Sagrado Oceano da Eternidade –
Louvado seja eu, escrevendo, já morto &
morto novamente –
Imerso em insinuações ácidas
e flama
de T i m
O maneirismo anglo ogro saxão
Dos poetas de Antigamente –
Louvada seja a floresta, ela é leite –
Louvado o Mel na Nascente –
Louvado o abraço do sono calmo
 – o valor dos anjos nos vales
do inferno subterrâneo –
Louvado o Infindável –
Louvadas as luzes do homem–terrestre –
Louvados os vigilantes –
Louvados sejam meus companheiros
Por habitarem o leite

Jack Kerouac
Fonte: Poesia Beat. Org. Sérgio Cohn. Azougue, 2012

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Feras Saltando Através do Tempo | Charles Bukowski


Van Gogh escrevendo para seu irmão pedindo tintas
Hemingway testando seu rifle
Céline fracassando como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado pelas sarjetas da cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs assassinando sua mulher com um tiro
Mailer apunhalando a sua
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remos
Dostóivesky de pé contra o muro para ser fuzilado
Grane fora da popa de um navio indo em direção à hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como uma batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelas tropas espanholas
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton bebendo veneno de rato
Shakespeare um plagiário
Beethoven com uma corneta no ouvido contra a surdez
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche enlouquecendo completamente
a impossibilidade de ser humano
todos demasiados humanos
esse respirar
para dentro e para fora
para fora e para dentro
esses punks
esses covardes
esses campeões
esses cachorros loucos da glória
movendo esse pontinho de luz para nós
impossivelmente.

Tradução: Sergio Cohn. In: Poesia Beat. RJ: Azougue, 2012.